quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

再见 - Zàijiàn


Zàijiàn Chinaaaaaaa!!


Enfim, nossa temporada pela China está se findando. Foram quase 2 anos e meio morando aqui na terra do Tio Mao. 


Cidade Proibida - Beijing


Esse post será o último post do nosso blog, por isso não tem como fugir dos balanços de nossa vida por aqui, mas vamos tentar ser o menos melancólico possível. Então, aguenta aí :)
Nos perguntaram do que sentiríamos saudades da China. Sinceramente, é muito difícil responder essa pergunta agora, pois a nossa ansiedade de voltar ao Brasil não nos permite enxergar essas coisas no momento. Mas tenho certeza que sentiremos muuuuuitas saudades da China, pois passamos dias felizes aqui. Tentamos aproveitar o máximo o que a China teve para nos oferecer. Fizemos muitos amigos, conhecemos muitos lugares e temos várias histórias. Histórias estas que, com certeza, contaremos aos nossos filhos e netos. Muitas delas publicadas aqui, outras impossíveis de se traduzir numa comunicação escrita, só estando na China mesmo para entender.


The Bund - Shanghai

Convido a todos a conhecer a China, pois o país é incrivelmente surpreendente :) Ao mesmo tempo que é um país com muita tecnologia, ainda percebemos a cultura chinesa milenar fortemente presente no dia-a-dia. Além de ter paisagens lindas!!


Muralha da China


Pôr do sol no West Lake - Hangzhou



MoonLake - Ningbo - China


O blog de início foi uma forma de mostrar a nossa vivência aqui para nossos familiares e amigos, mas depois acabou se transformando também num suporte para algumas pessoas que queriam conhecer a China. E por meio desse blog também conhecemos pessoas que hoje são nossos amigos. Então, o blog foi um ótimo facilitador para as nossas vidas.
Obrigada a todos que nos acompanharam por aqui, enviaram mensagens ou emails.
Saímos daqui com o sentimento de que VALEU A PENA ter vivido do outro lado do mundo :)


Zàijiàn
Thiago e Érica

terça-feira, 24 de abril de 2012

Mais uma experiência: Hospital na China

Olá pessoal

A semana passada passamos por uma experiência nada agradável por aqui. E neste blog, nós compartilhamos as experiências boas e ruins, né? Vamos lá.
Dizem que a pior dor do mundo é a cólica renal, certo? Pois é, foi essa mesma que deu as caras por aqui. E a sortuda quem foi? Eu mesma, a Érica.
As dores começaram na madrugada, depois de algum tempo, estavam insuportáveis. O Thiago resolveu então me levar no temido hospital chinês. Eu já havia ido neste hospital em uma ocasião mais simples, onde somente fiz exames de rotina, mas agora a experiência seria mais profunda. 
Pedimos auxílio na tradução para funcionárias da empresa onde Thiago trabalha, que prontamente nos atenderam, e logo de manhã estávamos nós no hospital.
Bom, vou explicar (de acordo com a minha experiência) a dinâmica de um sistema de saúde chinês. Primeira coisa pagamos 2,50 RMB (R$ 0,70) pela consulta de emergência. É isso mesmo, hahaha, setenta centavos a consulta. Tive sorte, pois nesta hora o hospital estava vazio. A consulta foi hiper rápida, deitei numa maca suja, com um lençol mais sujo ainda e com um teto mofado em cima de mim. O médico, de jaleco que acho que nunca viu OMO de tão sujinho,  pediu ultrassom (US) e exame de urina. Voltamos no caixa, pagamos 68 RMB pelos exames (R$19,00). 



Pegamos senha número 76 para o US, chegando lá, estava no número 18 ainda. Que sofrimentoooooooo!!! Esperei por 1 hora e meia, enquanto isso eu já estava vendo as estrelas do céu, tamanha a dor que essas pedras danadinhas causavam. E o Thiago quase surtando de preocupação. Aí, finalmente me chamaram.



Na sala de US deitei em outra maca com lençol mais sujo, o exame durou 30 segundos. A médica  disse que realmente era um cálculo renal. O próximo exame  era de urina, e até que foi rápido, pois em 20 minutos tínhamos o resultado em mãos.
Lá fomos nós, pagamos novamente 2,50 RMB para a consulta, agora no setor de urologia e nefrologia. Este setor estava lotado, e entramos na briga para conseguir atendimento. Haviam várias pessoas dentro do consultório da médica, disputando a atenção dela. (Detalhe: até esse momento eu estava sem medicação, então a dor perdurava). Enfim, conseguimos mísero... 1 minuto da atenção dela, ela olhou os exames, sugeriu um tratamento de 3 dias.


Aceitamos o tratamento de 3 dias, pegamos a prescrição, fomos na farmácia do hospital e compramos os medicamentos para os 3 dias por 390RMB (R$ 108,00), daí então fomos para a sala de medicação. 
Nesta sala havia mais ou menos umas 100 cadeiras, além de umas 50 macas. Permita-me observar mais uma vez que estava bem lotado.   Era tudo aparentemente desorganizado na minha visão enfermerística, haha, mas para eles parecia tudo muito normal. Entramos em uma fila, entregamos a prescrição e os medicamentos para a enfermeira do setor, ela fez uma etiqueta, devolveu a prescrição, pegou os medicamentos e a etiqueta, colocou numa bandeja em cima de uma esteira. Essa esteirinha, levava minha bandeja para uma outra sala, onde  prepararam o medicamento num soro fisiológico. E a bandeja saiu do outro lado com o medicamento pronto. Peguei minha bandeja e fui sentar. Me senti num McDonalds, acho que Ford teria inveja desse processo de trabalho, kkkkk.



Bom, sentei e a enfermeira do corredor puncionou minha veia, com uma delicadeeeeeza de dar inveja! Ela colocou o medicamento e me deu a pinça do equipo, tipo: "você controla o gotejamento aí, tá", pensei: "beleza, eu sou enfermeira memo".


Sentada, fiquei reparando tudo: sangue no chão e inclusive na minha cadeira, pessoas tossindo do meu lado, muito acompanhante junto, poucos funcionários, uma mulher varrendo o chão, um barulho absurdo, privacidade zero, enfim a visão para mim era caótica.  
Racionalizando o processo, entendi que aqui precisa ser assim, tudo meio mecanizado mesmo. Se eles se preocuparem em dar um atendimento individualizado, com privacidade, eles nunca irão conseguir atender a demanda. Pense bem, são mais de 1,2 bilhão para atender. É péssimo pensar desta forma, mas é a realidade chinesa.


Outra coisa que reparei, foi que, em nenhum momento, eles proibiram o Thiago de entrar comigo. Eu vi famílias enooooormes acompanhando os pacientes. Vimos também, muitos monges acompanhando os pacientes, parece que isso é uma prática comum aqui, mas você tem que pagar para ter esse acompanhamento. 


Mas depois disso tudo, minha dor foi melhorando. Além disso, tomei 15 comprimidos por dia de um medicamento com gosto de orégano. Eu estava esperando ansiosamente por um buscopan + voltaren. Que nada gente!!! Isso não é protocolo aqui não. Olha aí os medicamentos que recebi!! Mas por incrível que pareça a dor passou. Pura medicina chinesa.





Bom, esse procedimento eu fiz por 3 dias seguidos. No segundo dia já consegui eliminar o cálculo. Apesar de tudo isso, agora, confio mais nos medicamentos chineses, mas não nos hospitais chineses.
Espero não ter mais experiências dessas para contar :)

Abraços
Érica

segunda-feira, 26 de março de 2012

A bicharada tá solta!!

Ni Hao, amigos

Depois de morar num país onde o inverno dura mais de 5 meses, descobrimos porque dizem que os brasileiros são um dos povos mais felizes do planeta. Pois, lógico que o clima tropical é quem influencia esse bom humor e disposição. 
Aqui na China percebemos que no inverno poucas pessoas saem de casa para passear.  Vemos poucas  pessoas nas ruas, nas praças e nos shoppings. Mas basta esquentar um pouquinho, para que os chineses saiam de suas casas e apareçam aos montes. 
Entramos na primavera agora, e os locais públicos estão lotados, pois o clima está bem melhor. Aí, nós animamos também para fazer uns passeios.
Fomos no zoológico de Ningbo (Youngor Zoo) na semana passada. Foi um passeio interessante e diferente. 


As diferenças entre um zoológico chinês e um brasileiro são grandes, mas também vimos algumas semelhanças, como maus tratos e pouco espaço nas jaulas para os animais. 
A grande diferença neste zoológico foi a proximidade que nós tivemos com os bichos. Nós pudemos interagir com muitos deles, pois estão soltos e outros tem uma cerca bem baixinha nos separando. 





Quase não víamos funcionários do zoológico, causando a sensação de abandono. Por conta da falta dessa supervisão, vimos coisas que aos nossos olhos são condenáveis, como jogar refrigerante para o urso beber (e ele bebeu), dar chiclete para o macaco, dar pirulito para o Camelo, jogar coisas e mais coisas para os animais. E o estranho é que quando o funcionário via a situação, ele nem falava nada. 


Havia também comidas apropriadas para você comprar e alimentar os animais, até aí legal, né. Mas, o absurdo vem logo agora, você poderia comprar uma galinha viva para alimentar os tigres ou leões. Ela custava 30 RMB (cerca de R$ 8,00). Gente, quem teria a coragem de comprar uma galinha viva, soltar no meio dos tigres e ficar assistindo a coitada ser comida por eles? Não, isso é muito agressivo pra gente.


Fora essas coisas, foi um passeio divertido, o lugar é enorme com uma grande variedade de animais, e tem o famoso panda.


Rafiki, cadê o Simba?
Bom, para ir ao zoológico foi fácil, pegamos o endereço e fomos de taxi, agora voltar.... foi outra história. O zoológico é afastado da cidade e poucos taxis passam por lá. Bom, tivemos que pegar o primeiro ônibus que vimos na frente, descemos em um lugar mais ou menos conhecido e de lá conseguimos voltar para casa.


Até o próximo post.
Abraços

segunda-feira, 5 de março de 2012

Macau - Um poquinho de Brasil ia iá


Na mesma viagem que fomos para Hong Kong, resolvemos ir para Macau, pois é pertinho, pertinho.
Nossa, como Macau é legal. Você se sente mais em casa, sabe.
Similarmente ao Brasil, Macau também foi colônia dos portugueses, e foi devolvido a China em 1999. A colonização portuguesa durou 400 anos por lá. Mas apesar de todo esse tempo, parece que os portugueses não dominaram taaaanto por lá não como no Brasil. Um exemplo é a própria língua, predominantemente chinesa. Não encontramos nínguém falando português por lá. Mas isso é porque antes dos portugueses, a China já havia colonizado Macau, e depois é que os portugueses se estabeleceram por lá. Isso foi quase na mesma época do descobrimento do Brasil. Mas, enfim, chega de história.
Chegando em Macau, tudooooo ficou mais fácil. Apesar de ninguém falar português, as placas são em português, aí dá aquela sensação, "Nossa, como é bom não ser analfabeto", porque na China é o que somos :)





Pegamos um ônibus, e era muito fácil, pois os nomes dos pontos eram: Avenida Almeida Ribeiro, Museu de Ciência de Macau, Avenida Horta e Costa e havia uma gravação em português (lógico, que parecia o Manoel falando, né).
Visitamos o Largo do Senado, Igreja da Sé, Santa Casa de Misericórdia, Ruínas de São Paulo, etc...

Santa Casa de Misericórdia de Macau

Igreja da sé

Ruínas de São Paulo

Comemos pastelzinho de belém e bolachinha de nata, delícia!
Deu uma baita vontade de visitar Portugal agora.
Depois, fomos aos famosos cassinos de Macau, em uma ilha chamada Taipa. Lá tem cassinos enormes, imitando Las Vegas. Fomos no Venetian, lá além de cassino, é hotel, resort, shopping, casa de espetáculos, teatro, enfim tem de tudo lá, até uma churrascaria brasileira.

Interior do Venetian

O cassino é tão grandioso, que eles foram capazes de produzir um rio artificial dentro do cassino, com direito a gôndolas com remadores/cantores, além de um céu artificial com cenário de uma cidade.




Neste mesmo cassino, o Cirque du Soleil se apresentava, então fomos nós assistir este espetáculo tão falado no mundo todo. Realmente, a apresentação é linda, assistimos ao espetáculo Zaia. O palco muda de uma forma fantástica, os artistas são muito bons, as músicas são ao vivo, tudo isso encanta muito.




Mas, confessamos que nos decepcionamos um pouco, achamos o palco pequeno, poucos artistas, e teve alguns erros comuns, mas eu acho que a expectativa é que foi grande demais. Um dica boa para quem quer assistir algum espetáculo do Cirque du Soleil, é reservar o assento mais longe possível e no centro, assim a visão ficará mais ampla e você não verá os cabos que seguram os artistas.
E escrevendo esse post, vimos que a trupe não mais se apresentará em Macau, uma pena. Mas, um brasileiro que mora em Macau, indicou o "The House of Dancing Water" no City of Dreams, dizem que são ex-artistas do Cirque du Soleil.
Saindo de lá, voltamos para Hong Kong de catamarã ultra rápido, mas lógico, a Érica passou mal da ida e na volta.

Interior do Catamarã

É isso, até a próxima

Thiago e Érica

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Hong Kong

Nǐ hǎo ma?
Após longo período de hibernação (realmente está muito frio aqui), voltamos a ativa. 


E voltamos para mostrar uma China um pouco diferente da que estávamos acostumados. Essa China você encontra em Hong Kong.
Hong Kong (HK) foi colônia da Inglaterra até 1997, e agora é uma Região Administrativa Especial da China. 
HK tem seu governo local próprio (sem influência inglesa) com suas leis, políticas e moeda. O governo chinês só responde pela política externa e defesa militar de HK. Mas isso não vai durar muito tempo, é um período de transição de pelo menos 50 anos, depois disso a China volta soberana e absoluta a governar HK. 


Victoria Harbour
Achamos a cidade de HK, a melhor cidade para turismo na China. É incrível como em HK achamos tudo o que queríamos encontrar em mais de 1 ano por aqui. A cidade oferece exatamente o que o turista quer ver, o que quer comprar, onde passear, tudo isso na mão. 
Gente!!! Até vimos um panda, hehehe!! Estávamos procurando um panda aqui faz tempo. Porque todo mundo que vem para China, quer ver um panda, mas o difícil é achá-lo, viu. 


Não foi só essa, não :)

Agora sim!


O sistema de transporte de HK é fácil e eficaz. Utilizamos todos os meios de transporte disponíveis: taxi, metrô, catamarã e onibus.  Sem crise!! Interessante, pois foi a primeira vez que estivemos em um país que dirige na mão inglesa, e isso confunde um pouco na hora de entrar em um ônibus ou sair do taxi, hehehe. 
Impressionante notar que HK é uma cidade praticamente de dois andares. Por causa dos metrôs e algumas comunicações entre shoppings e ruas, formou-se um grande espaço de compras, entretenimento e transporte debaixo da terra. 
É super fácil encontrar comida ocidental, muito fácil mesmo, achamos Outback, Hard Rock Café, Fridays, etc... Mas para quem gosta de comer esquisitice lá também tem aos montes. Ressaltamos a comida ocidental, pois como estamos morando na China, temos saudades das comidinhas do lado de lá da terra.
Outra coisa boa é que a cidade oferece wifi gratuito em quase todos os lugares, e o melhor: sem as limitações do chinese great firewall (isso significa que conseguimos utilizar facebook ou twitter livremente).
Fizemos alguns passeios clássicos de HK, como ir na Avenue of Stars, que é tipo a calçada da fama de Hollywood, mas com artistas chineses. 




Infelizmente só reconhecemos o Jackie Chan, Jet Li e Bruce Lee.


Thiago encarando o Bruce Lee
Outro passeio legal foi ir ao Victoria Peak (também conhecido como The Peak), onde subimos por um bonde, construído em 1888, uma montanha de 552 metros. O ângulo de inclinação do trem parecia ser 90°, tinha que segurar no banco para não cair, mas na verdade lemos que é de 45°. 


Cadê?? (fala a verdade, parece montanha russa)


Chegou!!!


Chegando ao pico, temos uma linda vista da cidade, vale a pena. 




Além do panda, vimos tubarões, golfinhos, arraias, e outros animais no Ocean Park. Lá passeamos em um teleférico de 1.5 Km de extensão, pois o parque é tão grande que é dividido por uma montanha. 




Bom, tem muitos outros lugares interessantes por lá.
Dá para perceber que gostamos demais, né.
Pena que a passagem aérea não é barata pois fica há 2000 Km daqui de Ningbo, mas se der voltaremos mais vezes.


Abraços


Thiago e Érica